Acesso à água potável contribui para redução de doenças e conflitos homem‑fauna em Chipanje Chetu

Nas áreas de conservação, muitas comunidades enfrentam sérias dificuldades no acesso à água potável devido à ausência de infra‑estruturas adequadas.
REPORT.PHOTOS: Leonel Albuquerque - 29. abril 2026

Na província de Niassa, particularmente nas áreas de conservação, muitas comunidades enfrentam sérias dificuldades no acesso à água potável devido à ausência de infra‑estruturas adequadas. Perante esta realidade, várias famílias recorrem a rios, muitos deles sazonais e contaminados por animais selvagens — alguns potencialmente perigosos — que partilham as mesmas fontes de água. Esta situação agrava o já crónico conflito entre o ser humano e a fauna bravia.

Amélia Ali, residente na comunidade de Mowoola, situada na área de conservação comunitária de Chipanje Chetu, com cerca de 6.500 km², no distrito de Sanga, é um dos muitos exemplos desta realidade. Durante anos, Amélia e a sua família consumiram água do rio Mowoola sem qualquer tratamento. Como consequência, os seus filhos sofriam frequentemente de diarreias, obrigando-a a gastar cerca de 310 meticais por semana em cuidados médicos.

Todas as semanas tinha de abrir o meu cofre e retirar 310 meticais para pagar transporte e tratamento médico dos meus filhos. Quando todos estavam bem, usava esse mesmo valor na moageira para moer o milho e garantir a alimentação da família. Chegou um ponto em que já não conseguia fazer poupanças, recorda Amélia.

Com 40 anos de idade, a sua baixa estatura nunca foi um obstáculo para transportar dois bidões de água de cada vez, percorrendo um trajeto de hora e meia, da sua residência até ao rio Mowoola. Esta rotina exaustiva e arriscada mudou com a reabilitação e entrada em funcionamento de uma fonte de água melhorada, localizada a apenas 10 minutos da sua casa.

Agora a situação melhorou. A água está perto e já não corremos tantos perigos. Como os casos de diarreia diminuíram na família, consegui produzir mais milho na machamba, vendi uma parte e o dinheiro estou a guardar como poupança, conta, visivelmente satisfeita.

Histórias como a de Amélia multiplicam‑se nas áreas de conservação e reforçam o compromisso da Helvetas Moçambique em investir, de forma contínua, na promoção de infra‑estruturas de abastecimento de água potável nestas comunidades.

Em Novembro de 2025, foram reabilitadas 14 fontes de água, equipadas com bombas manuais, nas comunidades de Ntwara (1), Maumbica (3), Nova Madeira (3), Mowoola (1), 2º Congresso (4), Ngogoma (1) e Matchedje Aldeia (1), beneficiando cerca de 4.200 pessoas com acesso seguro à água potável, no âmbito do projecto MozNorte Governação Comunitária Chipanje Chetu implementado por consórcio liderado pela Helvetas, com financiado do Banco Mundial através da Fundação para a Conservação da Biodiversidade (Biofund).

Amélia com baldes de água a caminho de casa, na comunidade de Mowoola.
Amélia com baldes de água a caminho de casa, na comunidade de Mowoola.
Amélia tirando água numas das fontes recentemente reabilitada, na comunidade de Mowoola.