Informação climática para melhor decisão

Através do SCIPA e da agroecologia, o projecto Olima Wokumi apoia os agricultores a responderem às mudanças climáticas.
REPORT.TEXT: Ali Magido - 24. agosto 2026

As mudanças climáticas constituem um dos maiores desafios para o desenvolvimento sustentável em Moçambique. Nos últimos anos, o país tem enfrentado uma frequência e intensidade crescentes de fenómenos meteorológicos extremos, incluindo secas prolongadas, cheias, ciclones tropicais e irregularidade das chuvas. As províncias do Norte, particularmente Niassa e Nampula, têm registado sérias consequências para a produção agrícola, a segurança alimentar e os meios de subsistência. As comunidades rurais destas regiões dependem da agricultura de sequeiro. Contudo, as alterações nos padrões climáticos e a ocorrência de eventos extremos tornam cada vez mais difícil planificar as actividades agrícolas, reduzir os riscos de produção e garantir o rendimento dos agregados familiares.

Através do Projecto Olima Wokumi, a Helvetas Moçambique trabalha com pequenos produtores agrícolas para reforçar o acesso e a utilização de serviços climáticos. O projecto visa aumentar a resiliência climática dos agricultores, permitindo que as comunidades utilizem previsões meteorológicas e informação climática na tomada de decisões agrícolas, contribuindo assim para sistemas de produção mais resilientes e sustentáveis.

No âmbito desta iniciativa, a Helvetas, em colaboração com o Instituto Nacional de Meteorologia de Moçambique (INAM) e o PMA (Programa Mundial de Alimentação), parceiros com vasta experiência nesta área, realizou em Niassa a primeira Formação de Formadores (ToT) na metodologia SCIPA. Esta metodologia, desenvolvida pela Universidade de Reading e aplicada em mais de 20 países, apoia os agricultores na utilização da informação climática, previsões sazonais e conhecimento local para melhor planificarem as suas actividades agrícolas, pecuárias e outros meios de subsistência.

A formação reuniu técnicos de extensão dos Serviços Distritais de Actividades Económicas de cinco distritos de Niassa (Lichinga, Mandimba e Cuamba) e de Nampula (Malema e Ribáuè), bem como representantes de organizações de desenvolvimento, parceiros de cooperação e do sector privado (Prestadores Locais de Serviços).

Ao longo de cinco dias, a formação combinou conhecimentos teóricos e práticos, capacitando os técnicos para actuarem como multiplicadores e apoiarem os agricultores na tomada de decisões informadas, com base em informação climática e nas opções de produção disponíveis, incluindo agricultura, pecuária e outros meios de subsistência.

Os agricultores recebem apoio para analisar informações sobre o clima e os meios de subsistência que reflitam o seu próprio contexto
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Os formadores irão facilitar a replicação da metodologia PICSA nas comunidades
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Os agricultores consultam o seu calendário sazonal e refletem sobre os padrões climáticos do passado.
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Os agricultores avaliam os riscos climáticos e as opções de produção e, em seguida, com o apoio do projecto, traduzem as suas decisões em práticas concretas
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SCIPA: ferramenta para decisões mais informadas

A abordagem SCIPA coloca os agricultores no centro da tomada de decisões. Em vez de seguirem recomendações genéricas, os produtores são apoiados na análise de informação climática e dos seus meios de subsistência, tendo em conta a sua própria realidade. Isto permite-lhes avaliar diferentes opções e decidir quais são as mais adequadas para as suas machambas e famílias.

Os agricultores analisam o seu calendário sazonal e reflectem sobre os padrões climáticos do passado, combinando a sua experiência com informação fornecida pelos serviços meteorológicos nacionais. Em conjunto, estes conhecimentos ajudam-nos a antecipar melhor os padrões de precipitação e os riscos climáticos, permitindo uma planificação mais eficaz das actividades agrícolas.

Facilitadores capacitados orientam as sessões utilizando ferramentas simples e visuais, como desenhos e gráficos, para apresentar práticas agrícolas locais e fontes de rendimento, incluindo culturas, pecuária e outras actividades económicas. Esta abordagem torna o processo mais inclusivo, garantindo a participação e compreensão de todos, independentemente do nível de alfabetização.

A abordagem SCIPA coloca os agricultores no centro da tomada de decisões. Em vez de seguirem recomendações genéricas, os produtores são apoiados na análise de informação climática e dos seus meios de subsistência, tendo em conta a sua própria realidade. Isto permite-lhes avaliar diferentes opções e decidir quais são as mais adequadas para as suas machambas e famílias.

Os agricultores analisam o seu calendário sazonal e reflectem sobre os padrões climáticos do passado, combinando a sua experiência com informação fornecida pelos serviços meteorológicos nacionais. Em conjunto, estes conhecimentos ajudam-nos a antecipar melhor os padrões de precipitação e os riscos climáticos, permitindo uma planificação mais eficaz das actividades agrícolas.

Facilitadores capacitados orientam as sessões utilizando ferramentas simples e visuais, como desenhos e gráficos, para apresentar práticas agrícolas locais e fontes de rendimento, incluindo culturas, pecuária e outras actividades económicas. Esta abordagem torna o processo mais inclusivo, garantindo a participação e compreensão de todos, independentemente do nível de alfabetização.

Principais benefícios da metodologia SCIPA incluem:

  • Uma compreensão mais clara dos padrões climáticos locais e da sua variabilidade;
  • Maior capacidade de planificação antes da época chuvosa;
  • Adopção de práticas agrícolas mais adequadas, contribuindo para o aumento da produtividade;
  • Reforço da capacidade de tomar decisões informadas e baseadas em evidências.

A experiência de vários países africanos demonstra que os agricultores que utilizam a metodologia SCIPA estão mais bem preparados para gerir as incertezas climáticas e fazer uma utilização mais eficiente dos recursos de que dispõem.

Da formação à acção: utilizando a SCIPA para promover a agroecologia

Através do Projecto Olima Wokumi, a metodologia SCIPA será introduzida gradualmente nas comunidades-alvo das províncias de Niassa e Nampula, como parte integrante das actividades regulares de extensão rural. Técnicos capacitados e agricultores seleccionados como Campeões SCIPA irão facilitar sessões participativas nas quais os produtores analisarão calendários sazonais, tendências climáticas históricas e previsões meteorológicas sazonais, combinando o conhecimento local com a informação disponibilizada pelos serviços meteorológicos. Este processo ajudará os agricultores a tomar decisões mais informadas sobre o que produzir, quando semear e quais as estratégias a adoptar para reduzir os riscos associados às mudanças climáticas. A SCIPA constituirá, assim, um ponto de entrada prático para o principal objectivo do projecto: apoiar a transição da agricultura convencional para sistemas agroecológicos mais resilientes.

Para além de promover a utilização da metodologia SCIPA e uma melhor compreensão da variabilidade climática, o projecto irá também facilitar o acesso e a utilização de previsões meteorológicas de curto prazo mais precisas. Esta componente assume particular relevância face às alterações sazonais e à crescente frequência de eventos climáticos extremos.

Depois de avaliarem os riscos climáticos e as opções de produção disponíveis, os agricultores serão apoiados na transformação das suas decisões em práticas concretas, tais como a combinação de culturas anuais e perenes, a adopção de sistemas agroflorestais, a utilização de variedades nativas e localmente adaptadas, a melhoria da fertilidade dos solos, a gestão eficiente da água e a aplicação de tecnologias apropriadas de pós-colheita.

Demonstrações práticas, exercícios de planificação agrícola e acompanhamento técnico ajudarão a garantir que os conhecimentos adquiridos não se limitem às sessões de formação, mas sejam efectivamente aplicados no terreno. Esta abordagem permitirá igualmente aos produtores diversificar as suas fontes de alimentação e rendimento, reduzindo o risco de perdas de produção num contexto de crescente incerteza climática.

As culturas nativas e as variedades adaptadas às condições locais, aliadas a um melhor conhecimento dos períodos de sementeira e das necessidades hídricas das culturas, poderão reforçar a capacidade dos agricultores para planificar a produção de acordo com as condições agroclimáticas da sua região. Paralelamente, práticas agroecológicas como a compostagem, a cobertura do solo, a consociação de culturas, a agroflorestação e o uso de biopesticidas contribuirão para solos mais saudáveis, sistemas de produção mais estáveis e uma menor dependência de insumos externos.

O projecto promoverá igualmente soluções comunitárias para desafios específicos enfrentados pelas comunidades locais, incluindo a utilização de repelentes naturais e biopesticidas para mitigar os conflitos entre pessoas e fauna bravia, uma problemática que afecta significativamente algumas comunidades agrícolas da província de Niassa. Ao valorizar os recursos e conhecimentos disponíveis localmente, estas práticas poderão oferecer respostas práticas e de baixo custo para problemas que afectam directamente a segurança alimentar e o rendimento das famílias.

Para apoiar esta transição, o Olima Wokumi reforçará a colaboração entre organizações de agricultores, serviços de extensão rural, INAM, prestadores locais de serviços, fornecedores de insumos agrícolas, actores do sector privado e instituições governamentais. Estas ligações contribuirão para que a informação climática seja traduzida em recomendações práticas e acessíveis, assegurando simultaneamente que as soluções agroecológicas sejam adaptadas à realidade dos agricultores, às oportunidades de mercado e às condições ambientais locais.

Adicionalmente, o projecto trabalhará com jovens das zonas rurais para desenvolver competências profissionais ligadas à agroecologia, à agricultura sensível ao clima e à produção sustentável. Em contextos onde as oportunidades de emprego são limitadas, estas competências poderão abrir novas perspectivas para a juventude e fortalecer as capacidades locais para uma agricultura mais sustentável.

Desta forma, a metodologia SCIPA tornar-se-á uma ponte prática entre a planificação baseada na informação climática e a adopção de sistemas agrícolas mais resilientes, diversificados e sustentáveis.