Uma receita de coragem, trabalho e oportunidades

BLOGARTICLE.BY: Leonel Albuquerque - 14. outubro 2026

Aos 23 anos, Nilza Alberto Muehiua transformou uma formação em confeitaria numa oportunidade de mudar a sua vida e a de outros jovens. O caminho, porém, não foi imediato.

Desempregada e à procura de uma oportunidade, Nilza inscreveu-se, em 2023, num curso de confeitaria promovido pelo projecto SIM!. Após a formação, começou por produzir apas para acompanhar com caril e vendê-las durante o Ramadão. A experiência, aparentemente simples, acabara por transformar a sua vida.

Foi durante essa experiência que descobri a minha paixão pela culinária e, porque tudo despertava curiosidade em mim, comecei a produzir outros produtos, como chamussas, rissóis e biscoitos, utilizando inicialmente uma estufa, uma forma de 20 centímetros, bacias plásticas, um fuê, uma colher e uma batedeira de mão da minha mãe.

Os primeiros passos foram marcados pela escassez de meios. Sem um forno com capacidade suficiente e com utensílios básicos, era difícil responder às encomendas dentro dos prazos e acompanhar a procura. Ainda assim, Nilza não permitiu que a falta de condições se transformasse numa razão para desistir. Em vez de consumir os primeiros ganhos, Nilza decidiu devolvê-los ao negócio. Reuniu 15 mil meticais e investiu na compra de equipamentos, incluindo um forno de 55 litros, duas bailarinas metálicas, bicos de confeitar, formas e um conjunto de alisadores.

Com estes equipamentos, aumentei a capacidade de produção, diversifiquei as encomendas e passei a responder com maior rapidez aos clientes, incluindo aos pedidos de última hora. Mais tarde, dediquei-me aos bolos caseiros e temáticos, área em que me especializei e transformei a minha paixão numa arte apreciada pelos clientes.

O esforço não terminou com esse primeiro investimento. Embora cada equipamento adquirido implicasse a renúncia a um ganho imediato, permitiu aumentar as encomendas, melhorar a qualidade dos produtos e impulsionar o negócio. Com o crescimento da produção, a iniciativa deu lugar à empresa Nilza Sabores/Confeitaria, que emprega actualmente dois jovens e dinamiza a economia local.

Começar com o que tem e persistir

Este crescimento abriu uma nova etapa no percurso de Nilza: foi seleccionada pelo projecto SIM! para trabalhar como artesã-formadora. Nos últimos dois anos, esta actividade complementar permitiu-lhe obter cerca de 200 mil meticais, que reinvestiu no crescimento da empresa. Assim, voltou a reforçar os meios de produção, aumentou a capacidade operacional e criou bases mais sólidas para a sustentabilidade do empreendimento.

Além de me beneficiar directamente e aos meus trabalhadores, através deste negócio consigo formar outras pessoas. Neste momento, estou a treinar 12 jovens, para além de outros 22 que já formei. Com eles partilho a minha experiência de como começar um negócio com poucos recursos e fazê-lo crescer.

A trajectória de Nilza mostra que a falta de recursos pode tornar o começo mais difícil, mas não precisa de determinar o fim da história. Formação, disciplina, reinvestimento e persistência transformaram utensílios emprestados e uma pequena produção numa empresa capaz de gerar rendimento, emprego e novas competências na comunidade.

Não esperem pelas condições perfeitas para começar. Aproveitem as oportunidades, invistam nas vossas competências e persistam. Eu comecei com poucos recursos, mas, com determinação, consegui construir o meu próprio negócio e ajudar outros jovens a construírem o seu futuro.