Teresinha Constantino, 56 anos, começou a cultivar cajus em Nicane, distrito de Monapo (Nampula), há 24 anos. “Eu tinha uma plantação com 24 cajueiros, agora tenho 66 e pretendo ter mais, porque sei como aumentar a minha produção”, diz ela, sentada ao lado de um saco de castanha de caju à espera de serem vendidos. Ela é uma das 31 fundadoras da cooperativa Niphuele, criada em 2020 e que agora conta com 136 membros (70 mulheres) que produzem caju, amendoim, milho, gergelim e feijão-bóer. “Através da cooperativa, aprendi a semear correctamente em linha, a aplicar fertilizantes orgânicos e pesticidas no momento certo”, recorda, “mas, acima de tudo, vender os nossos produtos em conjunto permite-nos obter melhores preços, superiores aos que normalmente são pagos aos produtores individuais. No ano passado, a cooperativa conseguiu vender castanha de caju a 50 meticais/kg, quando o preço era de 45 meticais”. E isso sem certificação orgânica.
Com esse dinheiro, Teresinha pagou os tratamentos médicos do marido no hospital provincial de Nampula, a cerca de 150 km de distância.
Teresinha tem planos para o seu futuro e para o da cooperativa Niphuele. “Gostaria de receber formação em competências empresariais para poder abrir uma mercearia, um sonho que tenho desde criança, para servir a minha comunidade”, afirma. A cooperativa pode ser uma forma de realizar esse sonho: “Devemos construir um armazém, para que seja mais fácil obter crédito, expandir a nossa produção, ganhar mais dinheiro e talvez até criar mais empregos para os jovens...”
